domingo, 26 de agosto de 2012

A restauração desastrada do Ecce Homo

A notícia da restauração desastrada da pintura Ecce Homo de Elias Garcia Martinez no Santuário da Misericórdia, na Espanha tem motivos fortes para ter alcançado tão grande repercussão. Não demorou muito para que percebesse nesse acontecimento uma analogia com a falsificação da imagem do verdadeiro Cristo. Essa falsificação tem acontecido ao longo da história até os dias de hoje e tem se concretizado de inúmeras e diversas formas.

A verdadeira pintura, Ecce Homo, era realmente bonita e piedosa. Retratava a face de Cristo com traços bem definidos e harmônicos. O semblante de Jesus expressava o seu sofrimento, mas também revelava a sua bondade e mansidão. Mas a obra já se encontrava bastante deteriorada. Tudo isso que descrevi ainda podia ser contemplado apesar de o tempo ter destruído uma parcela significa da pintura.

Motivada por um zelo sincero e bem intencionado, uma senhora resolveu tomar para si a tarefa de restaurar a imagem de Cristo. E o resultado não poderia ter sido mais desastroso.

Já é possível perceber a analogia a que me refiro? Nos dias de hoje e ao longo da história, a imagem de Cristo nos é apresentada com algumas lacunas. Essas lacunas não são devidas à existência de imperfeições em Cristo, mas à existência de imperfeições nos homens que se empenharam em anunciá-Lo. De qualquer modo, apesar das imperfeições, essa imagem de Cristo é autêntica, está lá, pode ser contemplada e amada. A missão de anunciar Cristo é a missão da Igreja. Apesar das limitações dos homens, a Igreja tem sido desde sempre o lugar de encontro com o verdadeiro Cristo. A Igreja sempre anunciou o Jesus verdadeiro (Ecce Homo), ainda que hoje em dia, à semelhança do Ecce Homo anterior à malograda restauração, essa imagem do verdadeiro Cristo apresenta os sinais da deterioração do tempo. Deterioração da imagem, mas não de Cristo.

Muitas vezes nós, tantos os que nos dizemos em comunhão com a Igreja quanto os afastados dela, deliramos na fantasia de que somos capazes de restaurar a imagem de Cristo. E esse delírio consiste em restaurar a imagem de Cristo carregando-a com os nossos ideais pessoais de perfeição. E o resultado final é um desenho de Jesus segundo a nossa medida, à nossa imagem e semelhança. E o resultado não poderia ser mais desastroso. Muito mais bizarra do que o "novo" Ecce Homo.

É isso que tem feito as pessoas desenharem Cristo com os mais estranhos e estapafúrdios perfis. Alguns ainda hoje vêem Cristo como um homem desprovido de sentimentos humanos normais, como se através de sua vida tivesse ensinado uma ascese de total negação da dimensão material em favor da dimensão espiritual. Em suas diversas variantes, é essa visão que levou muitos cristãos a evitar o sorriso, supondo que Jesus nunca sorriu pelo simples fato de que os Evangelhos nunca o menciona explicitamente. Também levou alguns a evitar todo tipo de manifestação afetiva do corpo, incapazes de ver senão sensualidade imoral nelas. Outros, se recusaram a aceitar a dimensão humana, corporal, de Cristo. Ainda outros negaram a santidade do matrimônio,  incapazes de reconhecer a relação sexual entre um homem e uma mulher como uma realidade querida por Deus. E a partir desses e outros traços, a imagem que fizeram de Cristo resultou em uma pintura bastante deformada. Esse tipo de falsificação tem se manifestado claramente nas diversas doutrinas gnósticas que tem emergido ao longo do tempo, como a dos cátaros na idade média. E, de algum modo, em grande parte pela fraqueza humana, se insinua insistentemente e de forma sorrateira entre os cristãos nos dias de hoje.

Outra forma de deformação, comum nos dias de hoje, é a associação clara e quase direta de Jesus Cristo a uma ideologia política. Há alguns que pretendem apresentar a imagem de um Jesus engajado politicamente, tal qual um militante de esquerda ou um libertário. Outros, no outro extremo, querem nos fazer crer em uma imagem de Jesus que o reduz a um mero defensor dos "valores e bons costumes". E muitas vezes esses dois partidos entram em conflito entre si, colocando a imagem de Jesus no meio da briga, acreditando que o vencedor será o time que demonstrar que a imagem do autêntico Cristo se assemelha mais à própria imagem. Não parecem estar muito preocupados em seguir o exemplo de Cristo, mas em demonstrar que era Jesus quem seguia o exemplo de vida deles.

Como encontrar o verdadeiro Cristo, então? Se mostrasse a minha própria visão, provavelmente criaria a mais deformada imagem de todas. Para encontrar a Cristo, não há outra forma senão conhecer o testemunho que deixaram aqueles que conviveram com Ele e com os apóstolos. Esse testemunho está relatado nos Evangelhos.

Ainda que tal tarefa seja realmente muito difícil, uma imagem autêntica de Cristo só poderá se formar em nós se aceitarmos o relato despido dos nossos preconceitos. E isso é muito difícil, pois Cristo realmente pode ir contra a nossa visão de mundo. O olhar preconceituoso tende a filtrar tudo aquilo que se opõe às suas convicções e hábitos arraigados. O Cristo que abraça as crianças e se permite ter os pés lavados com as lágrimas de uma pecadora arrependida é simplesmente apagado do quadro dos rigoristas. O Cristo que reprova até mesmo os pensamentos maliciosos e perversos de adultério e impureza e que reafirma a indissolubilidade do matrimônio nunca existiu para o libertário. O Cristo que afirma que muitos se farão celibatários por amor ao reino dos céus é solenemente ignorado pelos que pretendem negar a autenticidade das vocações religiosas. O Cristo que ensina que não se pode servir às riquezas e a Deus simultaneamente nunca existiu para toda essa gente que faz uso seletivo e ideológico das Suas palavras para conservar e aumentar a sua riqueza. Poderia encher essa lista com muitíssimos outros exemplos, mas acho que já não é mais necessário.

Para entrar no reino dos céus é necessário se fazer tão simples como uma criança. Sim, de fato a criança é simples, pois seu olhar não está tão carregado de preconceitos e maus hábitos adquiridos. Por isso, é capaz de ver a realidade com olhos limpos e transparentes, através dos quais nada fica retido. E eu confesso: gostaria de ter os olhos limpos como o de uma criança para poder ver a autêntica imagem de Cristo.    



              



  

domingo, 29 de julho de 2012

Uma reportagem surpreendente

Acabo de ver uma reportagem surpreendente na Globo News (Especial, domingo, 29/07/12, 20h30), que mostra uma entrevista do filho do Osama Bin Laden, sozinho, e depois uma entrevista com sua esposa, também sozinha. O filho, Omar, era o mais velho, querido pelo pai, mas decidiu firmemente não seguir o mesmo estilo de vida do pai. Sua esposa, procedente de uma família judia, é vinte anos mais velha do que Omar.

Omar dá um exemplo de fidelidade ao quarto mandamento (honrará pai e mãe) sem ferir, de nenhum modo, o primeiro (amarás a Deus acima de tudo) ou o quinto (não matarás)  mandamento. Ele disse claramente que é contra o ato de terrorismo do 11 de setembro. Disse que não quis para si aquele universo em que viveu o seu pai. Mas em nenhum momento condenou o pai. Mais do que isso, diz que deve amar e respeitar o seu pai.

Essa é uma prova cabal de que cada ser humano, independentemente de sua origem e dos atos dos seus pais e das pessoas próximas que o rodeiam, pode escolher, tem livre arbítrio. A consciência é soberana. Omar passou por aqueles treinamentos. Omar amou e ainda ama o seu pai. Mas apesar disso, disse não ao que em consciência julgava errado.

Depois, o depoimento de sua esposa é ainda mais surpreendente. Ela tem coragem de falar tudo sobre a sua origem. Quando questionada pelo entrevistador se não tinha medo de falar aquelas coisas, ela responde: "não tenho medo de nada". Fiquei admirado pela coragem dela. Chegou a receber ameaças de morte dos dois lados. Lembrei-me mais uma vez daquela frase "não tenhais medo" pronunciada pelo papa João Paulo II. O medo sufoca, tira a liberdade, escraviza, oprime e deprime.

sábado, 28 de julho de 2012

Não tenhais medo: lutar contra o aborto


Recentemente tive acesso a um documento que explica extensivamente o histórico das entidades empenhadas em promover o aborto no Brasil e suas redes de financiamento. Recomendo esse documento a todos os que se posicionam corajosamente a favor da vida, pois contém todas as informações que comprovam inequivocamente que o governo brasileiro está empenhado em legalizar o aborto. Esse documento foi preparado pelo pe. Paulo Ricardo, que tem se exposto corajosamente na linha de frente das batalhas a favor da vida.

O endereço que envio a seguir direcionará para a página que contém um áudio do próprio pe Paulo Ricardo com uma explicação mais sucinta do plano do governo de burlar sorrateiramente a legislação brasileira e, ao final da página, um link para o documento a que me referi:
     
http://padrepauloricardo.org/episodios/governo-dilma-prepara-se-para-implantar-aborto-no-brasil

Tenho dois breves comentários para fazer sobre o assunto. Em primeiro lugar, espanta-me dolorosamente perceber tão claramente como os grupos promotores do aborto sabem utilizar as palavras para encobrir vergonhosamente as suas verdadeiras intenções. Outro mecanismo devastador é a sua capacidade de distorcer a linguagem de modo a conseguir acusar os seus adversários dos crimes que eles mesmos cometem. Um exemplo dessa linguagem retorcida é a seguinte frase da Norma Técnica do Atendimento Humanizado ao Aborto Provocado publicado pelo governo Lula em 2005:

"A atenção humanizada às mulheres em abortamento pressupõe o respeito ao direito da mulher de decidir sobre as questões relacionadas ao seu corpo e à sua vida. Em todo caso de abortamento, a mulher deve ser respeitada na sua liberdade, dignidade, autonomia e autoridade moral e ética para decidir, afastando-se preconceitos, estereótipos e discriminações de qualquer natureza, e evitando-se que aspectos sociais, culturais, religiosos, morais ou outros interfiram na relação com a mulher. Esta prática não é fácil, uma vez que muitos cursos de graduação e formação em serviço não têm propiciado dissociação entre os valores individuais (morais, éticos, religiosos) e a prática
profissional".

É bem verdade que a mulher tem mesmo o direito de decidir sobre as questões relacionadas ao seu corpo e à sua vida. Mas isso engloba tantas realidades, que questões relacionadas ao seu corpo e à sua vida poderiam ser, em concreto, a decisão de se suicidar ou de cometer um homicídio. Por isso, todo o direito está acompanhado de um dever. Todos temos o direito de decidir sobre questões relacionadas ao nosso corpo e à nossa vida, mas com o dever de respeitar a justiça devida a nós e aos outros. Assim como é uma falta de justiça infinita para com o próximo praticar um homicídio, o suicídio é do mesmo modo uma falta de justiça contra si mesmo (também infinita). Portanto, além de pressupor o direito de decidir, deve-se também pressupor o dever e a responsabilidade da decisão.

Não vou entrar no mérito da questão de o feto ser ou não um ser humano dotado de direitos. Mas se há dúvida sobre tal questão, então há também a possibilidade de o feto ser realmente um ser humano, e, nesse caso, o aborto é um homicídio, por definição. Veja que no documento não há nenhuma discussão sobre isso. Todo e qualquer questionamento é simplesmente taxado de preconceitos, estereótipos e discriminações de qualquer natureza. Veja que essa linguagem tira o foco daquilo que está realmente em jogo e abafa autoritariamente toda possibilidade legítima de dissensão, pois a qualifica já de antemão como uma discriminação.

Pede-se que " aspectos sociais, culturais, religiosos, morais ou outros interfiram na relação com a mulher". Essa é uma falácia que salta aos olhos a qualquer ser humano inteligente. É absolutamente impossível, em qualquer caso, que na sua relação com outro ser humano não intervenham concomitantemente aspectos sociais, culturais, religiosos, morais. A linguagem e as atitudes de um ser humano estão sempre, sem exceção, dotadas de  aspectos sociais, culturais, religiosos, morais. É absolutamente impossível destituir o ser humano desses aspectos na relação com o outro. O que se pode fazer, isso sim, e é isso o que o documento realmente pretende, é adulterar a verdadeira fisionomia social, cultural, religiosa e moral dos profissionais de saúde a fim de adequá-la às verdadeiras intenções do discurso: induzir o profissional de saúde a antepor uma legítima objeção de consciência. É verdade que o documento em questão está tratando de recomendações para a abordagem de uma paciente no pós-aborto, mas nada pode impedir o médico de alertá-la para a injustiça do ato cometido, e até repreende-la, se ele está convencido de que se trata de uma grave falta de justiça. Por outro lado, seria de fato uma injustiça da parte do médico negar-se a socorrer alguém em estado grave em decorrência de um pós aborto.        

Esse tipo de recurso linguístico é altamente sorrateiro, na medida em que pretende aniquilar convicções induzindo aquele que aceita o discurso de que a coisa mais ética a ser feita é negar as suas próprias convicções sem se dar conta de que, na verdade, as está negando.

De todas as frases que li nesse texto, a que mais me chamou à atenção foi a última, pois deixa bem claro que uma das intenções do discurso é promover "a dissociação entre os valores individuais (morais, éticos, religiosos) e a prática
profissional". Essa intenção é de uma monstruosidade alarmante. O primeiro exemplo que me veio à imaginação de um profissional desse tipo foi o de um oficial alemão, instruído em uma educação cristã, à frente de um campo de concentração.  E depois, em sua vida privada, gentil com a esposa e zeloso na educação dos filhos. Sim, esse é um exemplo bem claro de alguém que dissociou  os seus valores individuais da prática profissional. E pode ter certeza, quem faz isso, se não acaba se corrompendo, acaba enlouquecendo.


Por último, gostaria de citar uma frase que está no Evangelho, tendo sido pronunciada por Cristo e utilizada pelo papa João Paulo II no momento em que se manifestou pela primeira vez como papa. "Não tenhais medo". A principal estratégia dos homens mal intencionados é utilizar o medo para intimidar. Fazem ameaças, a fim de calar a boca dos que apontam claramente as suas injustiças para que recebam a punição que merecem. Mas não podemos ter medo, pois, na verdade, não há motivo para temer. Para isso é necessário ter a convicção de que, ainda que possam até tirar as nossas vidas, jamais vão nos fazer escravos da mentira, da injustiça e cúmplices das suas iniquidades. É preferível ser livre até a morte, se necessário, do que escravos da mentira.              




domingo, 22 de julho de 2012

Man's Search for Meaning de Viktor E. Frankl

Estou lendo um livro fabuloso, intitulado, na tradução para o português do Brasil pela editora Vozes, "Em Busca de Sentido", de Viktor E. Frankl. O título em inglês é "Man's Search for Meaning". A edição de 1984 possui três partes. A primeira é o relato da experiência do autor como prisioneiro em um campo de concentração. A segunda parte é um resumo dos fundamentos da logoterapia. A terceira parte é um apêndice intitulado a "Tese do Otimismo Trágico".

A logoterapia é um método de psicoterapia desenvolvido por Viktor E. Frankl. Ficou conhecida como terceira escola vienense de psicoterapia, depois da psicanálise de Freud e da psicologia individual de Adler. Não vou me estender mais a respeito da logoterapia; para quem se interessar, recomendo fortemente a leitura desse livro.

Transcrevo aqui uma passagem do livro em que, através de um exemplo, Viktor Frankl mostra em que medida a psicanálise de Freud pode ser mal aplicada  para resolver as angústias que decorrem de problemas existenciais.

"Quero citar um exemplo. Um diplomata americano de alto escalão dirigiu-se a meu escritório em Viena a fim de continuar o tratamento psicoanalítico iniciado cinco anos antes com um analista de Nova Iorque. Logo de início perguntei-lhe por que ele pensava que deveria ser analisado, por que, em si, começara com a análise. Revelou-se que o paciente estava descontente com sua carreira e tinha extrema dificuldade em concordar com a política exterior dos Estados Unidos. Seu analista, no entanto, lhe havia dito repetidamente que ele devia tentar reconciliar-se com seu pai, porque o governo dos Estados Unidos bem como seus superiores eram "nada mais" que imagens paternas, e, consequentemente, a insatisfação com o seu emprego se devia ao ódio inconsciente contra o pai. Uma análise que já vinha durando cinco anos induzira o paciente a aceitar cada vez mais as interpretações de seu analista, até que, de tantas árvores de símbolos e imagens, ele não mais conseguiu ver a floresta da realidade. Após algumas poucas entrevistas, ficou claro que a sua vontade de sentido estava sendo frustrada por sua profissão e que na realidade ansiava engajar-se em uma outra espécie de trabalho. Como não tinha motivo para ele não largar sua profissão e abraçar outra, assim o fez, com os mais gratificantes resultados. Em sua nova ocupação, ele está satisfeito já faz mais de cinco anos, conforme relatou há pouco tempo. Duvido que nesse caso eu estivesse lidando com um caso neurótico, e essa é a razão por que pensei que ele não precisava de qualquer psicoterapia, nem mesmo de logoterapia, pela simples razão de, ne realidade, nem ser um paciente. Nem todo conflito é necessariamente neurótico; certa dose de conflito é normal e sadia. De forma similar, o sofrimento não é sempre um fenômeno patológico; em vez de sintoma de neurose, o sofrimento pode ser perfeitamente uma realização humana, especialmente se o sofrimento emana de frustração existencial. Eu negaria categoricamente que a busca por um sentido para a existência da pessoa, ou mesmo sua dúvida a respeito, sempre provenha de alguma doença ou mesmo resulte em doença. A frustração existencial em si mesma não é patológica ou patogênica. A preocupação ou mesmo o desespero da pessoa sobre se a vida vale a pena ser vivida é uma angústia existencial, mas de forma alguma uma doença mental. É bem possível que interpretar aquela em termos desta motive um médico a soterrar o desespero existencial do seu paciente debaixo de um monte de tranquilizantes. Sua função, no entanto, é guiar o paciente através das suas crises existenciais da crescimento e desenvolvimento. "
(Viktor E. Frankl, Em Busca de Sentido, Ed Vozes, 31 Edição, p 127-128) 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bulgária, o país das flores

Em um domingo entrei em uma van contratada pela organização da conferência para nos levar de Sofia para Kiten, uma pequena cidade na costa do mar negro, não muito longe de Istambul. O dia estava nublado, mas quente e abafado por causa da humidade. É verão na Europa, e na Bulgária faz calor. Não tão insuportável quanto o verão no Rio de Janeiro.

O trajeto perfaz uma estrada que corta o país de oeste a leste. O país é montanhoso, sobretudo a oeste, onde o território contém uma boa parcela das montanhas dos balcãs. Cadeias de montanhas rochosas de modesta altura se estendem de oeste a leste, até as proximidades do mar Negro. A estrada foi construída em um vale com belíssimos campos repletos de plantações de girassóis. As casas das vilas rurais nas proximidades da estrada são simples e pobres, mas bonitas. Tem flores nas janelas, hortas no quintal e parreiras para enfeitar a entrada das casas. Como são pobres, nem sempre contem revestimento externo, e, se tem, nem sempre são pintadas. Montanhas de feno fazem lembrar as pinturas européias dos séculos passados.    

Em Kiten, um novo cenário se revela. Ruas movimentadas, pequenos prédios de cores vivas, parque de diversão improvisado, crianças nadando nas piscinas dos hotéis... Logo chegamos à entrada do hotel. Era um prédio que se destacava na pequena cidade de Kiten com os seus onze andares. De aparência simples e pouco acabamento, tinha uma arquitetura peculiar. Esse hotel pertencente a universidade me fez lembrar muito as colônias de férias da Associação de Funcionários Públicos de São Paulo. Apenas dois elevadores para todo o hotel, sendo que: (i) um deles estava quebrado; (ii) dois era o limite máximo de ocupantes no elevador e (iii) um deles fazia apenas andares ímpares e o outro apenas andares pares e, finalmente (iv) cada andar tinha seis apartamentos cada um com quatro camas! Mas o hotel não estava lotado nem os apartamentos. Fiquei sozinho no meu apartamento, pois o meu suposto colega de quarto mudou-se para o quarto do seu amigo. Menos mal...

Mas esses são apenas detalhes... Pelo preço da conferência estava até barato. As refeições eram boas e o quarto tinha até uma varanda com um largo varal para estender as roupas. Bom, a comida na Bulgária também é peculiar, mas bastante adaptável ao paladar brasileiro. Há uma diversidade muito grande de saladas. A salada de pepino com tomate não faltou em nenhuma refeição, nem mesmo no café da manhã. Com acréscimo de um queijo branco ralado típico da Bulgária, vira a "salada Chopska". Também é muito comum encontrar carne grelhada, de todos os tipos.  Há que tomar certo cuidado, pois no caso de a carne não ser grelhada, pode ser gordurosa demais... Além disso, há que tomar cuidado com a quantidade inumerável de pequenos quiosques vendendo churrasco grego com batata frita. Não me arrisquei... Mas Bulgária é famosa também pelo seu Yogurt e o que experimentei de fato era bom. Fui informado de que existe uma variedade de bactéria típica da Bulgária para produzi-lo.   

As primeiras impressões que tive sobre a Bulgária foram totalmente contrariadas após algum tempo em Kiten. Ali, onde a liberdade de um novo mundo livre deixou o verdadeiro espírito do povo aflorar, entendi melhor qual era a verdadeira fisionomia do povo búlgaro. E o que vi me lembrou um pouco um mundo de brinquedo, de menina, talvez. Cores muito vivas, muitas vezes o cor de rosa na fachada das casas, flores nas varandas, aromas de óleos e cosméticos de rosa, letreiros com fontes chamativas e cores quentes, bares com decoração extravagante, poltronas ostensivas em vez de bancos nos bares e restaurantes. Depois de um tempo, tudo começa a parecer irreal, quase ilusório, doce demais. Em todo canto, a cada metro quadrado, havia um quiosque repleto de roupas extravagantes à moda antiga penduradas em cabides para a montagem de fotos envelhecidas. Tão artificial que chegava a ser repulsivo.

O povo búlgaro é bonito, mas sempre há exceções, como em todo o lugar. Encontra-se ali uma variedade muito grande de fenótipos, o que é reflexo da confluência muito grande de diferentes povos na região ao longo da história. Mas o perfil dominante é europeu, e não turco ou asiático. Não há dúvida; milagrosamente, os búlgaros sobreviveram a uma dominação do império turco-otomano de mais de 500 anos. Mas sobre isso voltarei a falar depois.

Pelo incrível que pareça, o Mar Negro não é negro. Suas águas esverdeadas são mais transparentes e limpas do que a média das nossas praias paulistanas. E, no verão, as águas são quentes, como a do Nordeste. Acho que não se fica muito longe da verdade ao imaginar a costa do Mar Negro como a Flórida da antiga União Soviética. Eu e mais dois estudantes vindos da Suécia, um de origem australiana e outro de origem tcheca, no Mar Negro. E imaginar que esses dois estudantes descendiam de homens que tinham sido prisioneiros de guerra... Não era só imaginação, era fato. Um dos avós do Australiano foi prisioneiro dos japoneses; era obrigado a andar agachado na frente dos soldados japoneses para não por em evidência sua superioridade em estatura; caso contrário, era castigado com tapas e humilhações.      

Um estudante búlgaro me surpreendeu ao me perguntar sobre a fábrica de motores elétricos WEG. Fiquei quase emocionado quando ele me falou sobre as qualidades desses motores, elogiando as soluções propostas por seus engenheiros e implorando por mais informações a respeito dessa empresa. Não pude dizer nada além de que ela ficava em algum lugar de Santa Catarina. Acho que se me tivesse perguntado sobre samba poderia ter-lhe dado mais informações. Era um sujeito um tanto quanto peculiar, simpático, levemente autista, apaixonado pela engenharia dos motores elétricos. De acordo com ele, a Bulgária já foi uma grande potência em motores elétricos. Ao comentar com ele sobre a impressão que tive ao conhecer Sofia, me fez ver as coisas com outra perspectiva mais uma vez. Aqueles prédios toscos, que tinham me transmitido uma impressão não muito agradável, teriam sido construídos, segundo ele, em um período de pós-guerra, quando a uma grande quantidade de migrantes do campo arruinados pela guerra foi dada um chance de reconstruir a  vida na cidade, trabalhando nas fábricas. De acordo com ele, embora os prédios não sejam lá essas coisas em beleza, são robustos o suficiente para aguentar os abalos sísmicos. Sua visão favorável ao regime socialista ficou clara; na sua perspectiva, durante seus 23 anos de vida testemunhou e assistiu o país cair em uma grande depressão e mediocridade. A admirável indústria de motores elétricos simplesmente acabou. Uma significativa parcela da população búlgara emigrou para fora. Sobraram muitos ciganos e turcos, que, de acordo com ele, formam uma sociedade a parte. A propriedade dos búlgaros estaria constantemente ameaçada pelos ciganos.

Ao entrar em uma rede de restaurante "fast food" espalhada por vários pontos do país fiquei pasmado com as fotos de mulheres sensuais seminuas espalhadas por todos os cantos. Acho que isso faria qualquer brasileiro médio corar de pudor. Que a mulher seja explorada como objeto em propagandas na civilização ocidental moderna não é novidade para ninguém, mas aquilo era descarado demais para aquele tipo de ambiente, onde a qualquer momento poderia entrar marido e mulher com seus filhos. Nas propagandas e nas ruas de Sofia, nota-se em alguns lugares, à plena luz do dia, um ambiente carregado desse tipo de comércio sujo.  Os guias que me foram distribuídos junto com o material da conferência mostravam, ao lado da propaganda de um restaurante, uma propaganda de baixo nível como se fosse a coisa mais normal do mundo. Em alguns lugares sente-se no ar um clima de hedonismo corrosivo e putrefaço. Suspeito que o mesmo ocorra em muitos outros lugares desse universo do leste europeu. E também deste universo tupiniquim.

No entanto, vi também muitas famílias jovens, com mais de um filho, passando suas férias em Kiten. Suspeito que o mundo sempre foi palco de grandes contrastes. A loucura do mundo moderno é pensar que pode relativizá-los. Ao entrar em uma loja que vendia ícones orientais e jóias, uma belíssima atendente que falava inglês comentou um pouco sobre o modo como encarava o cristianismo. Diferentemente de nós, católicos, as verdades de fé e a crença em Jesus Cristo Filho de Deus não são tão relevantes. O cristianismo é apenas uma atitude, uma roupagem indispensável para a composição da cultura búlgara. Alguns santos búlgaros, com os seus atos heróicos de defesa aos pobres e à pátria, poderiam ser colocados no mesmo patamar ou acima de Jesus. Enfim,  Jesus seria apenas mais um entre esses homens santos, admiráveis, dignos de simpatia e veneração. O que o meu amigo búlgaro fez ao comentar a respeito do assunto foi apenas generalizar aquela atitude particular; a sua impressão, na perspectiva de alguém que se declarou agnóstico, era a de que o cristianismo era encarado pela maior parte das pessoas na Bulgária apenas como uma roupagem, sem a menor influência em suas vidas.

Há ainda tantas outras coisas para falar, mas vou deixar para a próxima postagem... To be continued... 

 

sábado, 23 de junho de 2012

Crônica sobre um casamento em Sofia, Bulgária, junho de 2012

Em um sábado cheguei em Sofia, capital da Bulgária. O tempo que dediquei aprendendo o alfabeto cirílico valeu a pena. É verdade que ainda não consigo ler com fluência, mas se não soubesse as regras para decodificá-lo ficaria boiando o tempo todo e uma sensação de estar em outro planeta poderia atingir fatalmente meu estado de ânimo. Além disso, ganhei algo a mais ao compreender que os alfabetos na verdade foram originalmente planejados para adequadequar-se a uma língua, cada letra correspondendo exatamente ao som dos fonemas. De fato, o alfabeto latino é únivoco para o latim, e o grego para o grego, mas para tantas outras línguas, como a nossa, uma mesma sílaba pode ter diversos sons diferentes (e.g. lixo e prolixo). Esse tipo de ambiguidade muito dificilmente  acontece com essas línguas eslávicas para as quais o alfabeto cirílico foi "projetado".

De qualquer modo, muitos outros aspectos dessa cidade me fizeram ter a impressão de estar em um outro mundo. E suspeito que isso tem muito a ver com o fato de essa cidade ter pertencido a um outro universo no passado recente: o universo do mundo socialista. Mas, além de fazer algum comentários a respeito disso, não poderia deixar de expressar nesse texto minhas impressões sobre um acontecimento da vida pública e privada que testemunhei com meus próprios olhos: um casamento em uma Igreja Católica Romana. Deixarei para o leitor o trabalho de estabelecer a relação desse fato com as realidades do mundo socialista.

Assim que me instalei no hotel em Sofia, por volta das quatro horas da tarde, procurei me informar sobre a Igreja Católica de Sofia. Já sabia que havia uma lá, na região central da cidade. Na verdade, a Igreja cristã ortodoxa é maioria no país, mas há uma pequena porcentagem de católicos. Pedi ajuda à atendente do hotel e ela foi muitíssimo solícita; mesmo não sabendo onde ficava, fez uma rápida pesquisa na Internet, encontrou o endereço e me explicou como fazer para chegar lá de bonde. Parênteses: o bonde faz em Sofia o mesmo papel que o Metro faz em São Paulo, mas não imaginem que Sofia tem a mesma demanda e dinamismo que São Paulo; muito, mais muito longe mesmo está disso.      

A viagem de bonde me fez percorrer aquele cenário de pequenos prédios cinzentos, muito parecidos, modestamente dotados de beleza arquitetônica, quase todos pixados ou repletos de ilustrações proveniente da "arte" dos graviteiros. Quase todos com roupas estendidadas na varanda, mas sem o mesmo colorido e alegria de Lisboa. Alguns rapazes treinando boxe em praça pública, sem camiseta - parece ser esse um esporte muito popular no país. O calor intenso e húmido do verão lembra muito Porto Alegre na mesma época do ano. As lojinhas, mercearias, bares e restaurantes no térreo dos prédios ora dão um aspecto atrativo, ora lembram mais o comércio brega dos centros das cidades do Brasil, mas sem chegar, nem de perto, àquele nível, quase insuperável, de mau gosto. Uma ou outra construção moderna, shopping ou prédio comercial, aparece de repente, destoando do conjunto e sem oferecer nem mesmo uma beleza própria para compensar. E, de repente, uma grande construção chapada, cinzenta, larga, toda pixada com um monumento ao lado da sua imensa porta retratando uma mãe robusta e peituda com vários filhos a ela agarrados... Lembrança dos tempos "áureos" de socialismo!

Ao descer na penúltima estação (Jenski Pazar - "Mercado da mulher"), fui pedir informação a um casal de jovens que encontrei na rua. Estava seguindo a dica dada por um jovem com quem falei em inglês no bonde de que boa parte dos jovens de lá sabiam falar inglês. Disto tenho quase certeza: não deve ser muito difícil, em qualquer lugar do mundo em que se esteja, discernir dentre a multidão os jovens bem educados que provavelmente sabem falar inglês... Conseguimo-nos comunicar maravilhosamente e me explicou o melhor caminho para chegar onde queria. O rapaz era muito simpático, mas para minha decepção, e de sua namorada, perguntou-me se era verdade que as meninas do Brasil dormem de bruços para não ficar com a bunda chata. Fiz de conta que não entendi a piada, e respondi que nunca tinha ouvido tal explicação e com toda a fleuma atribui tal fenômeno à mistura afro-européia típica do Brasil. "I don't believe you have asked it", foi tudo o que disse a namorada... E tudo isso depois de dizer que estava procurando a Igreja para ir à Missa...

Muito bem, logo encontrei a Igreja, sem antes ficar bastante atordoado com o som dos sinos das seis horas, que, refletindo nas paredes dos prédios, parecia vir de todos os lados. Fenômeno físico muito interessante, 100% análogo ao fenômeno do homem que pretende confundir o seu perseguidor refletindo sua imagem em uma sala com muitos espelhos (cena típica de muitos e muitos filmes, não é verdade?). 

Aviso: nesse parágrafo, não serei irônico ou algo pior do que isso. Quando cheguei à Igreja, 17h00, um casamento tinha acabado de terminar. Era uma cena bonita, com pessoas elegantes, mas não muitas. Em um momento jogaram pétalas de flor sobre os cônjuges. Noutro reuniram-se todos para tirar uma grande foto.

Dessa vez o jovem casal que encontrei não sabia falar inglês (nota: o não, "ne", em búlgaro, é respondido com um movimento vertical da cabeça. E o sim, "da", advinhem só com que movimento é respondido...). Mas havia um placa com a tabela de horários em inglês. Para minha alegria, haveria uma Missa às 18h00! Então fiquei esperando e logo descobri que durante aquela Missa seria celebrado um outro casamento (um outro casal que sabia falar inglês me informou). Os noivos estavam do lado de fora. Um senhor americano a quem dessa vez ajudei a encontrar a informação sobre os horários da Missa não pode deixar de observar que a noiva estava bonita. E era verdade; embora a noiva não tivesse uma beleza acima do normal para um mulher, mesmo sendo alta, havia algo nela como noiva realmente belo. Pareceu-me uma noiva realmente autêntica. Seu vestido era simples, mas perfeito. Não havia uma multidão, mas aquelas pessoas que ali estavam realmente impressionavam pela elegância. Os noivos - e nós também - tiveram a sorte de contar com um excelente organista e um excelente cantor durante toda a celebração litúrgica. O jovem frei franciscano que celebrou a Missa - de casula - o fez com rigor e piedade, transmitindo paz e alegria. Cantos em latim e comunhão na boca ("Deo Gratias")! Uma senhora quis "pegar" a hóstia com a mão e foi impedida ("please wake me my Lord, I said, it must be a dream!"). Depois, ao fim da Missa, vi o confessionário sendo utilizado ("that is definitely a dream, not real world!").

A maior parte das pessoas que foram para o casamento não estavam entendendo nada do que estava acontecendo, apenas alguns poucos lá no fundo a estavam acompahando e provavelmente desses a maior parte tinha ido lá só para a Missa, como eu. Esse mesmo tipo de fenômeno é agora observado em todos os casamentos no Brasil. A diferença é que no Brasil, teoricamente, somos uma maioria de católicos. E, podemos ter certeza; transformar a Missa em um "show da Xuxa" só agrava a situação. Quem é ignorante fica mais ignorante, pois nem mesmo lhe é dada a chance de testemunhar a beleza da liturgia, e o fiel, que teve a sorte de conhecer essa beleza, acaba ficando muito frustrado. Pior para todos.

Não pude deixar de observar que as moças usavam uns penteados sofisticados muito bonitos e estavam muito elegantes, sem apelar para a sensualidade. Ao contrário do Brasil, parece que a maioria na Bulgária tem o mínimo de 'semancol' para escolher um vestido apropriado para um casamento, sem que isso diminua em nada a sua elegância (na verdade, a maiorira no Brasil tem esse "semancol", mas há umas poucas que acabam fazendo a má fama de todas). E, para ser bem sincero, elas ficam bem mais elegantes do que as que não tem "semancol". Outra coisa que não me passou despercebida foi a riqueza das fragrâncias dos perfurmes. Nunca senti algo igual antes; perfumes muito agradáveis, que não despertam a sensualidade, não são enjoativos e no entanto não se parecem com os perfurmes "para senhoras mais velhas". Como disse, nunca senti nem mesmo algo semelhante antes.        

Enfim, saí daquele pedaço de sonho, para voltar à realidade do mundo cão. E não deixei de observar alguns cães na rua, alguns grandes, que me fizeram lembrar daquelas numerosas matilhas uspianas de cachorro. Então passou pela minha cabeça que, se me perguntassem como é Sofia, por analogia, responderia: "conheces as residências universitárias das Universidades Públicas do Brasil, como o CRUSP (USP) ou a residência da Unicamp? Imagine que elas fossem uma cidade inteira; o resultado seria então uma cidade de um país socialista. Acrescenta aí algumas belas construções anteriores ao mundo socialista (Igrejas, óperas, palácios) e algum lixo descartável do mundo capitalista atual (shoppings) e você terá uma cidade como Sofia."

Por isso, me pergunto: qual é a verdadeira fonte para uma cultura capaz de desenvolver toda a potencialidade de cada ser humano? Não tenho dúvida que boa parte dos homens que construíram aquelas residências no mundo comunista o fizeram com idealismo, desejosos de ver todos desfrutando de uma moradia de qualidade. Mas o melhor que conseguiram fazer, e não por sua culpa, foi um "huge" CRUSP. Por quê?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

"Why I am a Christian" de Henry Margenau

Esse texto, Henry Margenau, um físico que participou dos avanços da física no começo do século XX, entitulado "Why I am a Christian", contem muitos fatos interessantes. Não o divulgo por proselitismo, mas pelo interesse histórico. Até os 22 anos ele não entendia nada de física; apenas de latim. Não é por nada que Gleb Wataghin lamentou o fim do latim nas escolas. Entre muitos fatos interessantes que divulga, está o testemunho de Heisenberg, que deliberadamente impediu o desenvolvimento da bomba atômica na Alemanha. E podem ter certeza, os alemães naquela época eram melhores em física do que os americanos; eles teriam conseguido se os melhores físicos quisessem.
Vale à pena ler esse texto.
http://www.leaderu.com/truth/1truth16.html